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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Segunda Edição da Revista Periferias

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Segunda Edição da Revista Periferias é Lançada para Pensar o Papel das Periferias na Democracia


Publicada pelo Instituto Maria e João Aleixo (IMJA), um instituto de produção de conhecimento que visa romper com o formalismo e a hierarquia das instituições acadêmicas tradicionais, a Revista Periferias é uma publicação semestral orientada pelo paradigma da potência das periferias do mundo. Esse paradigma da potência foi justamente o tema da primeira edição da Revista Periferias, lançada em maio desse ano. O tema dessa segunda edição, Democracia e Periferias, vem em um momento de profundos desafios colocados à democracia brasileira, mas ecoa com relevância em todo o mundo.
Além das contribuições desde o Rio de Janeiro, essa edição conta com artigos de Belém do Pará e da Índia, Paquistão, Irlanda, Turquia, França, Portugal, Chile, Palestina, Espanha e Argentina, provando a relevância da luta unificada das periferias. “É muita ousadia de uma organização da Maré juntar um filósofo escocês e uma trans da Maré para escrever um texto”, brinca Jailson Souza e Silva, fundador do Observatório de Favelas e diretor do IMJA, sobre o artigo Democratizando o Corpo e a Política – Perspectivas transexuais e periféricas sobre democracia e ditadura. A revista é ainda publicada em quatro línguas—português, inglês, espanhol e francês—e a próxima fronteira, segundo Jailson, é o árabe, para não se limitar às línguas ocidentais.

Nesse sentido, o instituto vem articulando uma Rede Internacional das Periferias, visando produzir conceitos, metodologias, conteúdos e propostas de políticas públicas a partir das periferias do mundo, pelo compartilhamento de práticas e técnicas e pelo desenvolvimento de ações e projetos conjuntos. Uma face dessa articulação é a Universidade Internacional de Periferias (UNIPERIFERIAS), em implementação.
Jailson coloca que a revista é uma disputa política e estética. “É uma nova forma de olhar para as periferias e favelas. Olhar para esses territórios não só a partir do que se caracteriza como ausência, falta—que é a visão tradicional que a grande mídia, que as classes dominantes lidam com os espaços populares—mas a partir do que ele tem. A partir das suas realizações, suas inventividades, sua beleza, sua inteligência, sua criatividade. [Mas também] é uma possibilidade de estarmos experimentando diferentes linguagens, ficar sabendo o que acontece nas periferias do mundo e que a gente não tem acesso.”
No debate que marcou o evento de lançamento no último dia 5 de dezembro no Complexo da Maré, estiveram presentes além de Jailson, Eduardo Alves, também do IMJA, Priscila Rodrigues do Observatório de Favelas e Maryuri Grisales, editora da revista Conectas SUR, com a mediação de Henrique Silveira, da Casa Fluminense. “A contribuição maior que vocês estão trazendo é a amplificação de vozes de atores e atrizes da sociedade civil pautando esse paradigma da potência e disputando narrativa sobre o que é a periferia. Há um lugar de centro que a gente está questionando, que a gente quer dinamitar para recolocar a periferia de uma maneira diferente. São palavras muito fortes: inventividade, criatividade, cotidiano de lutas”, diz Maryuri. Henrique completa: “Falar de democracia na periferia, precisamos da preocupação permanente com o reconhecimento da inventividade que vem da periferia, mas não abrir mão de tocar na questão do racismo”.


Priscila na mesma linha diz que é preciso pensar a democracia a partir de seu lugar como mulher, periférica e negra. “Periferia não é só um local, são os corpos periféricos pela cidade. Tenho pensado muito em democracia como verbo: democratizar. Democratizar espaços, canais de comunicação, conversas. Democracia só acontece se a gente estiver debatendo, construindo, participando”. Uma pessoa da plateia concorda: “Se juntar para puxar água de uma rua para a outra, capinar para fazer um campinho… a democracia enquanto verbo está na nossa infância, não é preciso inventar nada novo”.
Na contribuição da Comunidades Catalisadoras* para a revista, falamos justamente sobre como as periferias potencializam, concretizam uma democracia que, assim como o Estado, chega até elas de forma imperfeita e incompleta. Assim, e diante dessa seletividade da democracia, escolhemos ressaltar uma série de iniciativas que demonstram na prática como que indivíduos e grupos de periferias estão lutando por mais representatividade, um maior respeito aos direitos humanos e constitucionais (não só o direito à vida, mas à circulação, à cultura, à educação) e governos mais participativos. Nas palavras de Jailson, é preciso “uma democracia que respeite os nossos usos dos nossos corpos, que coloque as instituições a nosso serviço”.

“Mesmo a esquerda vê a periferia como expressão da desigualdade social. Onde há mais cidade, na favela ou na Barra? Na Barra há mais urbe—o Estado colocou mais equipamentos lá—mas não há mais cidade. Quando a gente pensa na polis, na dimensão da sociabilidade, da inventividade, tem mais cidade na favela. Na favela tem muito mais vivência do outro”, fala Jailson. “A cidade é uma só na geografia física. Na humana, ela tem contradições. Ela não é nem duas cidades, é muitas. E pensar em escalas diferentes é poder colocar a gente na frente, a periferia no centro”, finaliza Eduardo.

Confira a segunda edição da Periferias aqui e o artigo “O papel das periferias na democracia”, publicado pela Comunidades Catalisadoras, aqui. A Periferias, no momento, está aceitando submissões sobre o tema ‘Experiências Alternativas da Periferia’ para sua terceira edição até março de 2019.

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