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sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

BBC Brasil

A cidade dos EUA que quer pagar seus delinquentes para reduzir a violência

Membro de gangueDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionEm Sacramento, os crimes violentos costumam ser atribuídos às gangues.
Solução inovadora ou uma concessão exagerada a criminosos?
A proposta de incentivar delinquentes com ajudas que incluem pagamentos mensais está provocando discussão nos Estados Unidos.
"Subsídio ao crime" e "suborno para acabar com ele" é como a proposta é descrita por alguns especialistas.
Mas quem defende o projeto, que nasceu numa pequena cidade da Califórnia e agora está sendo adotado na capital do Estado, Sacramento, e pode se expandir para outros lugares, diz que ele vai muito além da recompensa econômica.
O programa se chama Advance Peace ('Promova a paz', em tradução livre).
Mas como é o programa?

Criminosos conhecidos das autoridades

O Advance Peace parte da seguinte premissa: em cidades com altos índices de violência urbana, a maior parte dos crimes é cometida por um grupo pequeno de pessoas.
No caso de Richmond, na Califórnia, as autoridades constataram que um pequeno grupo de delinquentes era responsável por 70% dos delitos com arma de fogo que aconteciam na cidade.
Richmond, CalifórniaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionO programa nasceu Richmond, na Califórnia, e foi adotado na capital, Sacramento
Naquele momento (2009), Richmond, com pouco mais de 100 mil habitantes, estava entre as 12 cidades mais violentas dos Estados Unidos.
"Vimos que os criminosos que cometiam violência armada andavam livres pelas ruas, não eram presos ou processados, por uma série de motivos", diz à BBC News Mundo DeVone Boggan, diretor executivo da Advance Peace.
Segundo uma reportagem do Washington Post, desde 2007, mais da metade dos 52 mil homicídios em 55 grandes cidades dos Estados Unidos não resultaram em prisão.
Ao menos 38 cidades têm uma taxa mais baixa de prisão por homicídios do que há uma década. O fracasso na resolução de casos deixa os assassinos nas ruas e provoca um ciclo infinito de violência por vingança.
Mãos algemadasDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionMais da metade dos 52 mil homicídios em 55 grandes cidades dos Estados Unidos não resultaram em prisão
"Mesmo com a presença de mais forças de segurança vimos que a violência não diminuía. Como não estávamos conseguindo tirá-los das ruas, pensamos em dar a eles uma alternativa que os motivasse e os fizesse mudar seu comportamento sozinhos", diz Boggan.
Foi nesse contexto que começou o programa Advance Peace.
Violência em Sacramento
A capital da Califórnia é uma das cidades onde a violência urbana mais aumentou nos últimos anos.
O que mais preocupa as autoridades é a presença de gangues que, segundo as estatísticas, são responsáveis por mais de um quarto dos homicídios cometidos anualmente em Sacramento.
Para Khaalid Muttaqi, diretor do grupo de Prevenção e Intervenção em Gangues da Prefeitura de Sacramento, são vários os fatores que explicam essa situação.
"Sabemos que a vingança entre membros de gangues e o consumo e venda de drogas têm um papel", diz Muttaqi à BBC Mundo.
"Mas há outros fatores, como questões pessoais, seu estado mental, um trauma... São coisas em que não costumamos pensar", acrescenta.
Khaalid MuttaqiDireito de imagemGETTY IMAGES
Image caption'Muitos jovens criminosos foram vítimas', diz Khaalid Muttaqi, diretor do grupo de Prevenção e Intervenção em Gangues da Prefeitura de Sacramento
"Vemos essas pessoas que cometem crimes como más. Muitos deles foram também vítimas de violência. Pode ter sido abuso infantil, podem ter visto muita violência na infância, e essa pode ser a raiz do problema, mas não se fala muito disso", diz ele.
"Debaixo da tatuagem, do cabelo, da forma de falar, quase todos querem ter uma vida melhor", garante.
Boggan concorda, e vai além.
"Esses rapazes vivem em 'zonas de guerra'. A violência é constante, contínua. O trauma não se resolve na prisão, e a alternativa é a morte", lamenta.

Nova estratégia

Foi esse ponto de vista que levou os governantes da cidade a mudarem o roteiro e trabalhar diretamente com os jovens mais próximos à violência antes que estes apertem o gatilho ou virem vítimas.
O programa Advance Peace tem como base a seleção de mentores, geralmente homens que já participaram do mundo do crime e cumpriram pena de prisão, que acompanham jovens vulneráveis e os ajudam a desenvolver um "plano de vida", com objetivos de curto e longo prazo.
Participantes do programaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionMentores e jovens que participam do programa têm a mesma origem e vivem nos mesmos bairros
"Os mentores, que vemos como agentes de mudança, vêm dos mesmos bairros, conhecem essa vida", explica Boggan.
"E a intervenção consiste em desenvolver relações com esses meninos vulneráveis, relações fortes, de confiança, para poder avançar com as outras etapas do programa", diz.
Incentivo polêmico
Uma das fases do programa é o pagamento de um valor mensal aos jovens, muitos deles considerados criminosos.
Esse componente gerou fortes críticas, especialmente em meios conservadores.
"É um programa de subsídio ao crime", escreveu um analista no site RedState.
E em outro site, Infowars, um colaborador disse que o programa "tira dinheiro de cidadão de bem, que paga seus impostos, e o redistribui a criminosos que estão matando as pessoas".
PistolasDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionAlgumas pessoas discordam do programa, dizendo que ele dá incentivos econômicos aos criminosos
A atenção nacional à iniciativa deu força à oposição local ao projeto. O chefe de polícia de Sacramento defendeu o programa, mas outros agentes das forças de segurança foram contrários a ele.
A promotora distrital de Sacramento, Anne Marie Schubert, expressou, em nota, suas "sérias preocupações" com o Advance Peace.
Também houve críticas de pessoas que veem o programa como uma recompensa injustificada a pessoas violentas ou até um tipo de suborno para acabar com o crime.
"A essas pessoas eu diria que isso não é verdade, mas mesmo que se fosse assim, valeria a pena o gasto", responde Muttaqi.
Ele justifica o programa de um ponto de vista econômico, sem entrar em debates morais, onde é mais difícil chegar a consensos.
"Todos concordamos que esses indivíduos provavelmente serão alvejados ou atirarão em alguém nos próximos seis meses. Isso vai ter um custo para nós. Se os prendemos, teremos gastos altos. Há um custo de U$ 400 mil por tiroteio ou US$ 1 milhão por homicídio, e esse é um cálculo conservador", diz.
"Mas os participantes do programa custam, por 18 meses, U$ 30 mil no máximo. Mesmo se você não concorda com o programa, faz sentido economicamente", afirma."As pessoas estão muito mal informadas sobre nosso trabalho e sobre o sucesso do que fazemos", afirma.
"Elas se concentram em um só elemento, o incentivo econômico, quando há um conjunto de coisas que o programa faz, como o contato diário com o jovem, a atenção constante, o desenvolvimento de um plano de ação que inclui estabelecer objetivos de educação, emprego, moradia, saúde etc. ou viagens a outras cidades para que conheça outras realidades."
"O valor é o que chama a atenção, mas é preciso ir além para entender a profundidade e o valor do nosso trabalho. Há dados concretos (de sucesso). O que estamos fazendo funciona para reduzir a violência em longo prazo."

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Segunda Edição da Revista Periferias

Racismoambiental.net.br

Segunda Edição da Revista Periferias é Lançada para Pensar o Papel das Periferias na Democracia


Publicada pelo Instituto Maria e João Aleixo (IMJA), um instituto de produção de conhecimento que visa romper com o formalismo e a hierarquia das instituições acadêmicas tradicionais, a Revista Periferias é uma publicação semestral orientada pelo paradigma da potência das periferias do mundo. Esse paradigma da potência foi justamente o tema da primeira edição da Revista Periferias, lançada em maio desse ano. O tema dessa segunda edição, Democracia e Periferias, vem em um momento de profundos desafios colocados à democracia brasileira, mas ecoa com relevância em todo o mundo.
Além das contribuições desde o Rio de Janeiro, essa edição conta com artigos de Belém do Pará e da Índia, Paquistão, Irlanda, Turquia, França, Portugal, Chile, Palestina, Espanha e Argentina, provando a relevância da luta unificada das periferias. “É muita ousadia de uma organização da Maré juntar um filósofo escocês e uma trans da Maré para escrever um texto”, brinca Jailson Souza e Silva, fundador do Observatório de Favelas e diretor do IMJA, sobre o artigo Democratizando o Corpo e a Política – Perspectivas transexuais e periféricas sobre democracia e ditadura. A revista é ainda publicada em quatro línguas—português, inglês, espanhol e francês—e a próxima fronteira, segundo Jailson, é o árabe, para não se limitar às línguas ocidentais.

Nesse sentido, o instituto vem articulando uma Rede Internacional das Periferias, visando produzir conceitos, metodologias, conteúdos e propostas de políticas públicas a partir das periferias do mundo, pelo compartilhamento de práticas e técnicas e pelo desenvolvimento de ações e projetos conjuntos. Uma face dessa articulação é a Universidade Internacional de Periferias (UNIPERIFERIAS), em implementação.
Jailson coloca que a revista é uma disputa política e estética. “É uma nova forma de olhar para as periferias e favelas. Olhar para esses territórios não só a partir do que se caracteriza como ausência, falta—que é a visão tradicional que a grande mídia, que as classes dominantes lidam com os espaços populares—mas a partir do que ele tem. A partir das suas realizações, suas inventividades, sua beleza, sua inteligência, sua criatividade. [Mas também] é uma possibilidade de estarmos experimentando diferentes linguagens, ficar sabendo o que acontece nas periferias do mundo e que a gente não tem acesso.”
No debate que marcou o evento de lançamento no último dia 5 de dezembro no Complexo da Maré, estiveram presentes além de Jailson, Eduardo Alves, também do IMJA, Priscila Rodrigues do Observatório de Favelas e Maryuri Grisales, editora da revista Conectas SUR, com a mediação de Henrique Silveira, da Casa Fluminense. “A contribuição maior que vocês estão trazendo é a amplificação de vozes de atores e atrizes da sociedade civil pautando esse paradigma da potência e disputando narrativa sobre o que é a periferia. Há um lugar de centro que a gente está questionando, que a gente quer dinamitar para recolocar a periferia de uma maneira diferente. São palavras muito fortes: inventividade, criatividade, cotidiano de lutas”, diz Maryuri. Henrique completa: “Falar de democracia na periferia, precisamos da preocupação permanente com o reconhecimento da inventividade que vem da periferia, mas não abrir mão de tocar na questão do racismo”.


Priscila na mesma linha diz que é preciso pensar a democracia a partir de seu lugar como mulher, periférica e negra. “Periferia não é só um local, são os corpos periféricos pela cidade. Tenho pensado muito em democracia como verbo: democratizar. Democratizar espaços, canais de comunicação, conversas. Democracia só acontece se a gente estiver debatendo, construindo, participando”. Uma pessoa da plateia concorda: “Se juntar para puxar água de uma rua para a outra, capinar para fazer um campinho… a democracia enquanto verbo está na nossa infância, não é preciso inventar nada novo”.
Na contribuição da Comunidades Catalisadoras* para a revista, falamos justamente sobre como as periferias potencializam, concretizam uma democracia que, assim como o Estado, chega até elas de forma imperfeita e incompleta. Assim, e diante dessa seletividade da democracia, escolhemos ressaltar uma série de iniciativas que demonstram na prática como que indivíduos e grupos de periferias estão lutando por mais representatividade, um maior respeito aos direitos humanos e constitucionais (não só o direito à vida, mas à circulação, à cultura, à educação) e governos mais participativos. Nas palavras de Jailson, é preciso “uma democracia que respeite os nossos usos dos nossos corpos, que coloque as instituições a nosso serviço”.

“Mesmo a esquerda vê a periferia como expressão da desigualdade social. Onde há mais cidade, na favela ou na Barra? Na Barra há mais urbe—o Estado colocou mais equipamentos lá—mas não há mais cidade. Quando a gente pensa na polis, na dimensão da sociabilidade, da inventividade, tem mais cidade na favela. Na favela tem muito mais vivência do outro”, fala Jailson. “A cidade é uma só na geografia física. Na humana, ela tem contradições. Ela não é nem duas cidades, é muitas. E pensar em escalas diferentes é poder colocar a gente na frente, a periferia no centro”, finaliza Eduardo.

Confira a segunda edição da Periferias aqui e o artigo “O papel das periferias na democracia”, publicado pela Comunidades Catalisadoras, aqui. A Periferias, no momento, está aceitando submissões sobre o tema ‘Experiências Alternativas da Periferia’ para sua terceira edição até março de 2019.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Universa

Caso Carrefour: 9 dicas para diminuir o sofrimento de animais

1) Adote em vez de comprar 

"Amigo não tem preço, criadores exploram as matrizes e produzem ninhadas frequentemente doentes, e não faltam candidatos precisando de um lar. Dá para adotar, inclusive, animal de raça, descartado quandoquando frustra expectativas. Se você já comprou, não se sinta mal. Ajude a conscientizar os outros, ame esse serzinho até o último suspiro, porque todos merecem, e adote o próximo", ela diz.

2) Não ignore o abandono  

Ficou claro que não é para jogar bicho na rua, certo? Mas é menos óbvio que a gente não deve deixar de fazer algo só porque pode fazer pouco. Um prato de comida muda o dia de quem sente fome.

3) Aja coletivamente

Para salvar uma vida, quatro requisitos básicos: dinheiro para ração e veterinário, um cantinho temporário (se for gato, serve até banheiro), texto para divulgação nas mídias sociais e fotos sensibilizadoras. "Cada um pode colaborar com o que faz de melhor, assim ninguém fica sobrecarregado.

4) Apoie o trabalho de ONGs

Articulação não é seu forte? Falta tempo? A família fica reclamando? Doe grana para quem bota a mão na massa. Organizações não governamentais raramente recebem incentivos do governo. E desempenham funções que deveriam ser dele.

5) Pressione os políticos eleitos

O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) foi criado para proteger o ser humano de doenças transmissíveis pelos animais e, mesmo com o atual acúmulo de papéis, faltam políticas públicas efetivas de castração em massa, adoção e educação da população.

6) Denuncie maus-tratos

Estudos do FBI mostraram que 80% dos psicopatas começam seus crimes abusando de animais. A denúncia é anônima e, em São Paulo, pode ser feita pela internet.

7) Considere o veganismo  

Toda criação para atender demandas estratosféricas é cruel, incluindo a de leite e ovos. Mas você pode começar fazendo a Segunda sem Carne, campanha idealizada pelo ex-Beatle Paul McCartney em 2009. Pensa: um dia da semana reservado para descobrir novos sabores.

8) Valorize empresas pró-bicho  

Compre produtos não testados em animais. Boa parte deles você encontra ao lado dos tradicionais, no mercado comum mesmo. E eles geralmente custam mais barato. O único inconveniente é o trabalho de pesquisar as marcas, mas a internet facilita.

9) Dê exemplo de compaixão  

Ensine as crianças a respeitar os animais, arrisquem um trabalho voluntário juntos, escolha uma ONG para presentear com sua ajuda no Natal.

BBC Brasil

A cidade dos EUA que quer pagar seus delinquentes para reduzir a violência Beatriz Díez (@bbc_diez) BBC News Mundo Comparti...