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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Segunda Edição da Revista Periferias

Racismoambiental.net.br

Segunda Edição da Revista Periferias é Lançada para Pensar o Papel das Periferias na Democracia


Publicada pelo Instituto Maria e João Aleixo (IMJA), um instituto de produção de conhecimento que visa romper com o formalismo e a hierarquia das instituições acadêmicas tradicionais, a Revista Periferias é uma publicação semestral orientada pelo paradigma da potência das periferias do mundo. Esse paradigma da potência foi justamente o tema da primeira edição da Revista Periferias, lançada em maio desse ano. O tema dessa segunda edição, Democracia e Periferias, vem em um momento de profundos desafios colocados à democracia brasileira, mas ecoa com relevância em todo o mundo.
Além das contribuições desde o Rio de Janeiro, essa edição conta com artigos de Belém do Pará e da Índia, Paquistão, Irlanda, Turquia, França, Portugal, Chile, Palestina, Espanha e Argentina, provando a relevância da luta unificada das periferias. “É muita ousadia de uma organização da Maré juntar um filósofo escocês e uma trans da Maré para escrever um texto”, brinca Jailson Souza e Silva, fundador do Observatório de Favelas e diretor do IMJA, sobre o artigo Democratizando o Corpo e a Política – Perspectivas transexuais e periféricas sobre democracia e ditadura. A revista é ainda publicada em quatro línguas—português, inglês, espanhol e francês—e a próxima fronteira, segundo Jailson, é o árabe, para não se limitar às línguas ocidentais.

Nesse sentido, o instituto vem articulando uma Rede Internacional das Periferias, visando produzir conceitos, metodologias, conteúdos e propostas de políticas públicas a partir das periferias do mundo, pelo compartilhamento de práticas e técnicas e pelo desenvolvimento de ações e projetos conjuntos. Uma face dessa articulação é a Universidade Internacional de Periferias (UNIPERIFERIAS), em implementação.
Jailson coloca que a revista é uma disputa política e estética. “É uma nova forma de olhar para as periferias e favelas. Olhar para esses territórios não só a partir do que se caracteriza como ausência, falta—que é a visão tradicional que a grande mídia, que as classes dominantes lidam com os espaços populares—mas a partir do que ele tem. A partir das suas realizações, suas inventividades, sua beleza, sua inteligência, sua criatividade. [Mas também] é uma possibilidade de estarmos experimentando diferentes linguagens, ficar sabendo o que acontece nas periferias do mundo e que a gente não tem acesso.”
No debate que marcou o evento de lançamento no último dia 5 de dezembro no Complexo da Maré, estiveram presentes além de Jailson, Eduardo Alves, também do IMJA, Priscila Rodrigues do Observatório de Favelas e Maryuri Grisales, editora da revista Conectas SUR, com a mediação de Henrique Silveira, da Casa Fluminense. “A contribuição maior que vocês estão trazendo é a amplificação de vozes de atores e atrizes da sociedade civil pautando esse paradigma da potência e disputando narrativa sobre o que é a periferia. Há um lugar de centro que a gente está questionando, que a gente quer dinamitar para recolocar a periferia de uma maneira diferente. São palavras muito fortes: inventividade, criatividade, cotidiano de lutas”, diz Maryuri. Henrique completa: “Falar de democracia na periferia, precisamos da preocupação permanente com o reconhecimento da inventividade que vem da periferia, mas não abrir mão de tocar na questão do racismo”.


Priscila na mesma linha diz que é preciso pensar a democracia a partir de seu lugar como mulher, periférica e negra. “Periferia não é só um local, são os corpos periféricos pela cidade. Tenho pensado muito em democracia como verbo: democratizar. Democratizar espaços, canais de comunicação, conversas. Democracia só acontece se a gente estiver debatendo, construindo, participando”. Uma pessoa da plateia concorda: “Se juntar para puxar água de uma rua para a outra, capinar para fazer um campinho… a democracia enquanto verbo está na nossa infância, não é preciso inventar nada novo”.
Na contribuição da Comunidades Catalisadoras* para a revista, falamos justamente sobre como as periferias potencializam, concretizam uma democracia que, assim como o Estado, chega até elas de forma imperfeita e incompleta. Assim, e diante dessa seletividade da democracia, escolhemos ressaltar uma série de iniciativas que demonstram na prática como que indivíduos e grupos de periferias estão lutando por mais representatividade, um maior respeito aos direitos humanos e constitucionais (não só o direito à vida, mas à circulação, à cultura, à educação) e governos mais participativos. Nas palavras de Jailson, é preciso “uma democracia que respeite os nossos usos dos nossos corpos, que coloque as instituições a nosso serviço”.

“Mesmo a esquerda vê a periferia como expressão da desigualdade social. Onde há mais cidade, na favela ou na Barra? Na Barra há mais urbe—o Estado colocou mais equipamentos lá—mas não há mais cidade. Quando a gente pensa na polis, na dimensão da sociabilidade, da inventividade, tem mais cidade na favela. Na favela tem muito mais vivência do outro”, fala Jailson. “A cidade é uma só na geografia física. Na humana, ela tem contradições. Ela não é nem duas cidades, é muitas. E pensar em escalas diferentes é poder colocar a gente na frente, a periferia no centro”, finaliza Eduardo.

Confira a segunda edição da Periferias aqui e o artigo “O papel das periferias na democracia”, publicado pela Comunidades Catalisadoras, aqui. A Periferias, no momento, está aceitando submissões sobre o tema ‘Experiências Alternativas da Periferia’ para sua terceira edição até março de 2019.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Universa

Caso Carrefour: 9 dicas para diminuir o sofrimento de animais

1) Adote em vez de comprar 

"Amigo não tem preço, criadores exploram as matrizes e produzem ninhadas frequentemente doentes, e não faltam candidatos precisando de um lar. Dá para adotar, inclusive, animal de raça, descartado quandoquando frustra expectativas. Se você já comprou, não se sinta mal. Ajude a conscientizar os outros, ame esse serzinho até o último suspiro, porque todos merecem, e adote o próximo", ela diz.

2) Não ignore o abandono  

Ficou claro que não é para jogar bicho na rua, certo? Mas é menos óbvio que a gente não deve deixar de fazer algo só porque pode fazer pouco. Um prato de comida muda o dia de quem sente fome.

3) Aja coletivamente

Para salvar uma vida, quatro requisitos básicos: dinheiro para ração e veterinário, um cantinho temporário (se for gato, serve até banheiro), texto para divulgação nas mídias sociais e fotos sensibilizadoras. "Cada um pode colaborar com o que faz de melhor, assim ninguém fica sobrecarregado.

4) Apoie o trabalho de ONGs

Articulação não é seu forte? Falta tempo? A família fica reclamando? Doe grana para quem bota a mão na massa. Organizações não governamentais raramente recebem incentivos do governo. E desempenham funções que deveriam ser dele.

5) Pressione os políticos eleitos

O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) foi criado para proteger o ser humano de doenças transmissíveis pelos animais e, mesmo com o atual acúmulo de papéis, faltam políticas públicas efetivas de castração em massa, adoção e educação da população.

6) Denuncie maus-tratos

Estudos do FBI mostraram que 80% dos psicopatas começam seus crimes abusando de animais. A denúncia é anônima e, em São Paulo, pode ser feita pela internet.

7) Considere o veganismo  

Toda criação para atender demandas estratosféricas é cruel, incluindo a de leite e ovos. Mas você pode começar fazendo a Segunda sem Carne, campanha idealizada pelo ex-Beatle Paul McCartney em 2009. Pensa: um dia da semana reservado para descobrir novos sabores.

8) Valorize empresas pró-bicho  

Compre produtos não testados em animais. Boa parte deles você encontra ao lado dos tradicionais, no mercado comum mesmo. E eles geralmente custam mais barato. O único inconveniente é o trabalho de pesquisar as marcas, mas a internet facilita.

9) Dê exemplo de compaixão  

Ensine as crianças a respeitar os animais, arrisquem um trabalho voluntário juntos, escolha uma ONG para presentear com sua ajuda no Natal.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

BBC NEWS

Por que um casal brasileiro deixa seu filho brincar com onças-pintadas


Tiago com duas onças no rioDireito de imagemARQUIVO PESSOAL
Image caption
Uma foto de um menino ao lado de duas onças-pintadas viralizou recentemente na internet. Alguns acharam que era montagem, mas a imagem é real
Um garoto acompanhado de duas onças-pintadas em uma lagoa. Ele demonstra conforto com a situação e faz carinho em um dos felinos, enquanto o outro animal está com uma pata encostada no ombro esquerdo do jovem. A cena, que causou estranheza nas redes sociais nas últimas semanas, faz parte da rotina de Tiago Jácomo Silveira, de 12 anos, desde que ele era recém-nascido.
A imagem do garoto foi publicada, inicialmente, pelo próprio pai, o biólogo Leandro Silveira, de 49 anos. Depois, a fotografia foi compartilhada em páginas de Facebook e perfis do Instagram.
Em uma publicação feita no dia 23, um usuário do Facebook compartilhou a imagem de Tiago com as onças. A fotografia teve mais de 2 mil compartilhamentos e 22 mil reações, sendo as mais comuns delas o "amei" e o "uau". Na postagem, não há explicação sobre a origem do registro. Nos comentários, alguns disseram tratar-se de montagem, enquanto outros elogiaram a coragem do jovem.
Para Tiago, a repercussão da foto foi uma surpresa, pois considera se tratar de uma situação comum em seu cotidiano. O garoto frisa que muitas pessoas se surpreendam com o fato de ele conviver com onças-pintadas.
"Eu tenho alguns amigos que não acreditam nisso, acham que é 'fake'. Mas a maioria dos meus conhecidos acha isso muito legal e tem vontade de conhecê-las. Eu acho muito bom poder levar um pouquinho dessa experiência de vida que tenho para outras pessoas que não tiveram a mesma sorte que eu", afirma à BBC News Brasil.
Além do pai do garoto, a mãe, Anah Tereza Jácomo, de 49 anos, também é bióloga. Os dois coordenam o Instituto Onça-Pintada (IOP), que tem o objetivo de preservar e estudar o maior felino das Américas.
"O meu filho nasceu em um ambiente com onças-pintadas. Então, ele convive bem com elas desde a infância e sabe como lidar. Logicamente, a gente o instrui e impõe limites, mas hoje ele já sabe o que fazer ou não. É uma questão muito natural para ele", diz Leandro.

Crescendo com as onças-pintadas

Tiago bebê com onça no coloDireito de imagemARQUIVO PESSOAL
Image captionTiago é filho de biólogos que trabalham com a preservação das onças-pintadas
O nascimento de Tiago foi planejado desde o início do relacionamento de Anah e Leandro, que estão juntos há 28 anos. Os biólogos esperaram a conclusão do doutorado para que tivessem um filho.
"Tinha certeza de que ser mãe me privaria, de certa forma, da minha carreira. Meu marido sempre foi muito companheiro e pediu que concluíssemos os estudos primeiro, porque, na visão dele, não seria justo eu me afastar da carreira durante a maternidade, ao passo que a dele estaria em plena ascensão", diz.
Após o doutorado, Anah e Leandro decidiram que era o momento de ter um filho. Na época, eles já haviam criado o Instituto Onça-Pintada e passavam o dia lidando com estudos sobre felinos. Quando Tiago nasceu, o casal cuidava de três onças-pintadas recém-nascidas.
"Nessa época, íamos viajar de caminhonete, para resolver questões do instituto, e levávamos o nosso filho e as onças juntos. Ele ia no colo da minha esposa e elas iam perto da gente, para não se machucar. No trajeto, muitas vezes parávamos para dar mamadeira para ele e para as onças. Isso aconteceu muitas vezes", relata Leandro.
Em razão do convívio que teve com os animais desde pequeno, Tiago sempre considerou natural a proximidade com onças-pintadas. "O referencial dele é baseado na gente. Ele foi crescendo e aprendendo os limites, vendo o que poderia ou não fazer. Mas, para ele, é algo muito comum esse relacionamento, porque foi criado em um ambiente rural. Esse é o cotidiano dele. Não há nada de absurdo", afirma Leandro.
O garoto se considera privilegiado por ter se relacionado com as onças-pintadas desde pequeno. "Sempre foi uma relação de amor e respeito. Sempre gostei muito disso e sempre ajudei a cuidar dos animais", comenta.
Tiago ressalta que segue as instruções dos pais para lidar com os bichos. "Eles me ensinaram que o medo e o respeito são sentimentos importante e inteligentes. Porque quando você não tem medo e não respeita o animal, você não respeita o limite dele e, por isso, ele também acaba não te respeitando", pontua.
Tiago, os pais e a onçaDireito de imagemARQUIVO PESSOAL
Image captionOs pais de Tiago o ensinaram desde pequeno como deveria se comportar perto das onças

Limites do convívio

Desde que o filho era menor, Leandro ensinava ao garoto sobre a conduta que ele deveria ter com as onças-pintadas. O biólogo costuma passar os mesmos ensinamentos a pessoas que desconhecem informações sobre o felino.
"Esses animais não agem contra o ser humano, no sentido de nos ver como presas. Eles reagem às nossas ações. Então, é importante respeitá-los. Por exemplo, se ele está comendo ou nervoso, ele avisa que não quer proximidade, pela linguagem corporal, então é importante respeitar", diz.
"É fundamental entender os limites e não mexer com o animal quando ele não está bem. Não há como forçar algo com a onça-pintada. É importante compreender o momento em que ela quer ficar sozinha e se afastar. Quando ela quiser proximidade, se aproximará. Isso é uma regra fundamental para a convivência. Onça não é um animal social, mas cria laços para a vida inteira", acrescenta.
Segundo a bióloga, nunca houve incidente entre o garoto e as onças - e ela comenta que nunca deixou o filho sozinho com os animais.
"Sempre tivemos muitos cuidados. Não somente com as onças, mas com qualquer outro animal. Mas o mais importante é que o meu filho aprendeu muito cedo como conhecer cada um. Em nosso sítio, as regras de segurança sempre foram muito determinadas, claras e obedecidas", diz.
Tiago com onça filhoteDireito de imagemARQUIVO PESSOAL
Image caption'É fundamental entender os limites e não mexer com o animal quando ele não está bem', explicam Leandro e Anah
Na imagem que repercutiu nas redes sociais, uma cadela da raça blue heeler aparece próxima aos felinos. Os bichos mantêm uma relação de proximidade. Na Organização Não-Governamental (ONG), há outros animais, normalmente encaminhados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), como veados, macacos e lobos-guará,. Segundo Leandro, todos vivem em harmonia.
O IOP está localizado na região rural de Mineiros, no interior de Goiás, em uma propriedade de 50 hectares, pertencente ao casal de biólogos. O instituto não é aberto a visitação, para evitar incômodo aos animais ou prejuízo aos estudos realizados no lugar.

Amor por onças-pintadas levou à criação de instituto

Leandro se encantou pelas onças-pintadas ainda na infância, quando assistiu a um documentário sobre os felinos. Anos depois, a paixão pela espécie o levou a cursar biologia. O primeiro estágio dele foi em um projeto que lidava com onças-pintadas. "Foi a primeira vez em que tive contato com a espécie. Depois, nunca mais parei de trabalhar com ela", relata.
Na universidade, ele conheceu Anah, que também cursava biologia. Os dois são de Goiás. Desde a época em que eram estudantes, desenvolvem atividades com o maior felino das Américas. Em junho de 2002, criaram o Instituto Onça-Pintada. O principal objetivo deles era estudar a espécie e ajudar a preservá-la.
Anos após a criação do instituto, uma equipe do Ibama perguntou se Leandro e Anah tinham interesse em receber onças-pintadas recém-nascidas, que eram órfãs e haviam sido resgatadas da natureza. O casal, que não tinha a criação dos felinos como objetivo inicial, aceitou. Para acolhê-los, elaborou um criadouro científico, que hoje ocupa metade da propriedade rural.
Anah, Leandro e Tiago com uma onçaDireito de imagemARQUIVO PESSOAL
Image captionOnças e outros animais convivem em harmonia numa propriedade de 50 hectares pertencentes aos dois biólogos
O IOP está localizado dentro do sítio. Além de 25 hectares para o criadouro, o lugar também é dividido entre a parte destinada aos animais de outras espécies, a área utilizada para os estudos desenvolvidos por profissionais que atuam no instituto e a residência da família.
O instituto é mantido com doações de empresários ou pessoas físicas e por meio de recursos particulares do casal de biólogos. "É uma eterna busca por recursos. Nunca são valores governamentais, porque o poder público nunca nos ajudou. Ultimamente, temos apoio de empresas. Mas 95% dos recursos têm sido particulares, meus e da Anah, por meio de assessorias que fazemos", diz Leandro.
No IOP, atualmente há 14 onças-pintadas. Destas, quatro são filhotes, dois são jovens e há oito adultos. Na última década, 35 felinos passaram pelo lugar. Normalmente, os que deixam o instituto são encaminhados para outros criadouros, para auxiliar na reprodução e preservação da espécie.
As onças-pintadas que chegam recém-nascidas ao criadouro não retornam à natureza porque a principal ameaça a elas, segundo pesquisas do IOP, são os pecuaristas.
"Nesse sentido, consideramos um contrassenso devolver à natureza um animal que já veio para o cativeiro fruto desse conflito", explica Anah. Outro motivo que faz com que os felinos sejam encaminhados a outro criadouro é a necessidade de contato com humanos, que eles desenvolvem no início da vida, por meio da alimentação ou de outros cuidados básicos, em razão da ausência da mãe.
"Esses animais dificilmente perdem o elo com a presença humana e, se soltos, muito fatalmente, caso se aproximem de locais com a presença humana, podem acabar sendo abatidos", acrescenta a bióloga.

Ameaça de extinção

A onça-pintada está presente em 21 países, entre eles Argentina e Estados Unidos. Em alguns, como Uruguai e El Salvador, ela foi extinta. O Brasil concentra a maior parte delas, abrigando 48% da espécie de todo o mundo. No país, o animal também está ameaçado de extinção.
"Temos de 20 mil a 30 mil onças-pintadas no Brasil. Elas são consideradas ameaçadas porque, ao longo dos anos, perdemos mais de 50% da distribuição original delas. A tendência é que, como todos os grandes predadores mundo afora, caso não haja política de conservação, ela seja extinta."
"É um animal que compete com condições humanas, tem riscos aos seres humanos. Então, a tendência do homem é eliminar. Tudo o que gera riscos, gera prejuízo. Se não criarmos uma política direta de compensação aos prejuízos que esses animais causam, ele vai ser eliminado", pontua. Segundo o biólogo, não há nenhum tipo de ação do poder público para a preservação dos felinos.
Tiago e onçaDireito de imagemARQUIVO PESSOAL
Image captionSegundo os biólogos, se as onças-pintadas correm o risco de serem extintas no futuro, se políticas públicas de preservação não forem adotadas
Muitos dos filhotes que chegam ao IOP se tornaram órfãos após as mães serem mortas por produtores rurais, enquanto saíam em busca de alimentos para os filhos. "Há inúmeros filhotes que morrem depois da perda da mãe, por não conseguirem se manter sozinhos. Infelizmente, o número de órfãos que chegam para a gente é muito pequeno, perto do total que fica abandonado", explica Leandro.
Um dos principais trabalhos do IOP é conscientizar a população sobre a preservação das onças-pintadas. Os principais alvos da iniciativa são os produtores rurais. Para auxiliar no diálogo com eles, o instituto criou o Certificado Onça-Pintada. "Propomos valorizar os produtos de proprietários que se comprometem a tolerar os prejuízos causados por onças e jamais abatê-las", diz Anah. Segundo ela, 170 mil hectares de fazendas já aderiram ao selo. "O nosso objetivo é atingir 1 milhão de hectares em 10 anos", revela.
Anah explica que a importância da conscientização dos produtores rurais ocorre porque, no Brasil, 70% das terras estão em áreas privadas. "As unidades de conservação, sozinhas e isoladas, não têm tamanho e não asseguram a conservação da onça-pintada em longo prazo. Dessa forma, ela precisa do proprietário rural para ter a chance de sobreviver", pontua a bióloga.

Preocupação com o futuro

Tiago e filhote de onçaDireito de imagemARQUIVO PESSOAL
Image captionMuitos dos filhotes que chegam ao IOP se tornaram órfãos após as mães serem mortas por produtores rurais, enquanto saíam em busca de alimentos para os filhos
A luta pela preservação das onças-pintadas é conhecida por Tiago desde a mais tenra idade. Há um ano, ele deixou o sítio onde morava com os pais, na sede do IOP, para se mudar para Goiânia, para estudar. O garoto, que está no oitavo ano do ensino fundamental, sente saudades da convivência diária com os bichos.
"Está sendo muito difícil ficar longe dos animais, porque convivi com eles desde pequeno. Toda vez que volto para a casa dos meus pais, sinto que os animais também sentem saudade de mim. Eles me reconhecem e brincam comigo de uma maneira diferente. Isso é muito gratificante, porque vejo que o amor e o carinho que dei para eles anos atrás está sendo retribuído", diz o estudante.
Tiago visita os pais a cada três meses. A foto que viralizou na internet foi tirada durante o feriado da Proclamação da República, em 15 de novembro. No futuro, ele não quer continuar distante do lugar onde nasceu. O garoto planeja cursar biologia e retornar para o sítio da família, onde quer dar continuidade à iniciativa desenvolvida pelos pais.
"Quero fazer biologia, mas não para ser professor. Quero trabalhar com os animais, na prática. Pretendo dar continuidade ao instituto e ajudar meus pais, porque essa é uma causa muito nobre. A gente está tentando salvar uma espécie de extinção e realmente quero continuar com essa luta", declara.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

blog da kikacastro


‘Infiltrado na Klan’: uma história que precisa ser contada e recontada

por Cristina Moreno de Castro
Vale a pena assistir: INFILTRADO NA KLAN (BlacKkKlansman)Nota 10
No Festival de Cannes, um dos mais importantes do cinema mundial. este filme de Spike Lee recebeu seis minutos ininterruptos de aplausos e venceu o Grande Prêmio do Júri. Não foi à toa e prevejo muitos outros prêmios mais adiante, incluindo o Oscar. "Infiltrado na Klan" já é um clássico. Com ele, Spike Lee, que já tem 82 trabalhos no currículo, atingiu seu ápice.
Estamos falando, primeiro, de uma história sensacional, baseada em fatos reais: um policial negro (e blackpower) que se infiltra (com a ajuda do parceiro, judeu) na Ku Klux Klan, em plenos anos 70. Esse policial é Ron Stallworth, que escreveu um livro de memórias contando a história em 2014. O livro foi parar nas mãos de Spike Lee, que não tinha como perder um plot desses e foi em frente na direção.
Estamos falando, ainda, de uma condução excepcional para o que tinha tudo para ser um tema árduo, pesado, difícil. Afinal, trata-se da Ku Klux Klan, uma organização assumidamente racista e antissemita, que prega a superioridade da raça branca e o extermínio de negros. O filme foi lançado um ano depois do massacre de Charlottesville, que demonstrou a força do KKK ainda hoje nos Estados Unidos (talvez mais forte do que nunca, com Donald Trump no poder). Spike Lee usou cenas de Charlottesville para enriquecer o discurso. Mas, apesar disso tudo, e de todas aquelas frases racistas nojentas que são disparadas a cada dois minutos, que nos deixam enojados do lado de cá, não se trata de um filme para ficar sério, tenso, para chorar. Porque Spike Lee é inteligente e sabe como ninguém usar o humor para falar de assuntos árduos. Sabe que o humor é uma ferramenta que enriquece, e não empobrece, como muitos pensam. O humor do filme é inteligente, refinado, sutil. E o roteiro equilibra o trágico no cômico como poucos filmes sabem fazer.
Um dos grandes responsáveis por esse humor é o ator que interpreta o policial Ron Stallworth. E é um ator novato, mas que teve a melhor escola: John David Washington, filho do grande Denzel Washington – que já tinha trabalhado em quatro filmes de Spike Lee. John está sensacional. Leve, cínico, corajoso e bem-humorado, como o Ron real deve ter sido, pra conseguir esse feito de se infiltrar na KKK sendo negro. E de tapear um político que era o supremo diretor da organização e que até hoje exerce liderança na ultradireita americana: David Duke (interpretado pelo também ótimo Topher Grace). O elenco ainda tem o excelente Adam Driver, o veterano Robert John Burke, o pastelão Paul Walter Hauser e o ótimo ator finlandês Jasper Pääkkönen, um dos responsáveis por fazer nosso sangue subir aos olhos em relação ao racismo explícito da KKK.
OK, já temos aí uma história real sensacional, na qual se baseou o roteiro super bem-elaborado, com personagens interpretados por grandes atores (muito jovens, aliás). Tudo sob a batuta do diretor ousado na medida certa pra falar de uma bandeira que já é "velha" nos Estados Unidos, mas parece nunca ser tão necessária (ou parece nunca ser suficiente). No Brasil também, diga-se de passagem. Pra melhorar, temos uma câmera cheia de cortes modernos, temos uma edição que dá ritmo fabuloso à história, principalmente a partir da segunda metade do filme, temos uma trilha de primeira, cheia de soul. É já um clássico, como eu disse.
Pena não ter sido lançado antes das eleições no Brasil, porque os brasileiros estão precisando de relembrar alguns dos momentos mais cruéis da história da humanidade, a fim de que não se repitam por aqui. Agora já era. Vale lembrar: David Duke, o ex-chefão da KKK, personagem deste filme e deste episódio real dos anos 70, foi um dos que elogiaram, em outubro, Jair Bolsonaro, então candidato à presidência do Brasil. É a história engolindo a história engolindo a história...

trailer do filme:


domingo, 25 de novembro de 2018

O filme egípcio "O OUTRO PAR", com apenas 2 minutos de duração, ganhou o prêmio de melhor curta no Festival de Cinema. A diretora tem 20 anos de idade. O filme retrata a Lei do retorno. Faça pelo outro o que gostaria que fizesse por você. Mas sem esperar que o outro retribua. Lei do amor.


Bate Cabeça - Nervochaos SP