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sexta-feira, 10 de maio de 2019

MÚSICA

Livro de Cannibal registra as letras produzidas em 30 anos de banda
Livro de Cannibal registra as letras produzidas em 30 anos de bandaFoto: Arthur de Souza/Arquivo Folha
"Venha aqui no Alto, para a gente conversar". O convite é repetido sempre que alguém quer saber mais sobre a banda Devotos ou sobre ele, Marconi de Souza Santos, conhecido internacionalmente pelo codinome Cannibal.
Graças ao trabalho do grupo, junto com o de outras bandas que fizeram o Recife fervilhar a partir da década de 1990, o Alto José do Pinho passou a ser identificado como um celeiro musical e cresceu em autoestima. "Até os anos 1980, só falavam que aqui era violento. A gente tem conseguido quebrar esse estigma", atesta Cannibal, que desde que nasceu vive no Alto, uma das subdivisões de Casa Amarela, na zona norte do Recife.

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Apesar da quantidade de bandas ter diminuído, o artista percebe uma retomada e persistência na produção local, o que se estende para outros campos além da música, como a poesia, o teatro e asações sociais, a exemplo da reciclagem e conscientização realizadas pelo grupo AltoSustentável.  Cannibal está lançando, neste sábado (1º), a partir das 16h, o livro "Música para o povo que não ouve", que reúne as letras de todas as canções compostas para a banda ao longo de trinta anos de existência. O evento acontece junto com um show da Devotos na rua Severino Bernardino Pereira, a principal do Alto. 

"Até hoje, vem gente me dizer que gosta da música que a gente faz, mas não entende o que estou cantando", ri Cannibal. O jeito próprio de se interpretar hardcore (com gritos e sons guturais) explica a dificuldade. "A gente faz os shows na rua e as pessoas vêm e dizem, 'gosto muito do seu som, mas o instrumental é alto, é uma gritaria, não ouvi nada, não assimilei'... É algo muito constante. Então, pensando nisso, resolvi registrar as letras para as pessoas poderem ler em separado, como se fosse poesia. Para todo mundo poder ver que ali tem, sim, uma mensagem", explica. 



O livro foi concebido pelo próprio Cannibal, em parceria com o designer e fã de rock Marcus AsBarr, amigo de longa data. 

Cada aspecto foi cuidadosamente pensado. 
O título - um verso pinçado de um trecho do disco de 2006, "Informações para o povo que não lê / Música para o povo que não ouve / Fé para quem é de candomblé / Flores para mudar o homem". 

A tipografia e as imagens - cujas estéticas remetem aos zines dos anos 1980, com textos datilografados manualmente e fotos xerografadas. 

A capa - que remete à capa de um vinil compacto, incluindo até mesmo "marcas" da passagem de tempo. 

A editora escolhida - a Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), pelo espaço diferenciado que oferece à cultura pernambucana. 

O local do lançamento, num evento aberto no Alto José do Pinho - uma exigência inegociável. 

E até o valor - R$ 30, muito abaixo do praticado no mercado em se tratando de um livro de arte. 
Símbolo de resistência, Cannibal é fonte de inspiração dentro e fora do Alto José do Pinho
Símbolo de resistência, Cannibal é fonte de inspiração dentro e fora do Alto José do Pinho - Crédito: Arthur de Souza/Arquivo Folha
Na ativa desde 1988, o trio formado junto com Cello Neilton vem comemorando o espaço que conquistou através da arte: em 2018, houve uma grande exposição com as telas e desenhos de Neilton, que ilustraram capas e shows, seguido pelo lançamento de um catálogo; foi produzido um novo videoclipe em animação; e ainda em setembro, será lançado "O fim que nunca acaba", o mais novo álbum da banda. 
"Fazia muito tempo que eu queria lançar este livro, e não planejamos para acontecer tudo ao mesmo tempo. Mas é bom que seja assim", admite Cannibal.

Para o baixista e cantor, o livro é mais que um registro, uma forma de 'passar a régua' na produção. "Eu não sei dizer se vai vender bem, mas quis lançar na rua, para que a comunidade veja que a gente que é da periferia também pode escrever. A gente pode contar nossa história, e não só através da música, mas por meio de literatura, cinema, fotografia. De tudo que for transformador não só pra gente, mas pra sociedade. Porque aí, quem sabe, um dia, um guri daqueles que vai estar lá, assistindo, vai querer escrever um livro também".
Cannibal prossegue, emocionado: "minha filha Vitória tem oito anos e começou a acompanhar o processo de produção desse livro. E de repente começou a escrever, desenhar e guardar os papeis. Eu fui saber, 'O que você está fazendo, filha?' E aí ela me contou que está fazendo um livro dela".

Serviço:Lançamento do livro "Música para o povo que não ouve" (Editora Cepe, 195 páginas, R$ 30), seguido por show ao vivo da banda Devotos
Neste sábado (1º de setembro), a partir das 16h
rua Severino Bernardino Pereira, s/n - Alto José do Pinho
Livro de Cannibal registra as letras produzidas em 30 anos de banda
Livro de Cannibal registra as letras produzidas em 30 anos de banda

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Musica

Dead Kennedys cancela turnê no Brasil após pôster polêmico

Segundo a banda, 'ações estúpidas foram tomadas e que fizeram com que os pregadores de ódio se manifestassem por todos os lados'

26 ABR2019
Após repercussão de pôster que anunciava turnê da banda Dead Kennedys no Brasil, a banda divulgou comunicado informando o cancelamento dos show no País.
Segundo o texto, "ações estúpidas foram tomadas e que fizeram com que os pregadores de ódio se manifestassem por todos os lados." A banda afirmou que apesar de ter aprovado a arte do pôster feita pelo ilustrador brasileiro Cristiano Suarez e que concordaram com a ideia, "as consequências criaram uma situação bastante perigosa para nossos fãs que frequentam nossos shows. Nós nunca colocamos nosso público em risco, visto que isso não representa o que somos.
O texto ainda informa que os valores que foram repassados para produção da turnê serão doados para instituições de caridade.

Leia na íntegra:

"Ok Pessoal; o promotor no Brasil realmente não soube como gerenciar as coisas da forma correta. Sem nos contatar sobre o assunto, ações estúpidas foram tomadas e que fizeram com que os pregadores de ódio se manifestassem por todos os lados. Mesmo assim, nós consideramos que o pôster ficou bem legal e nós concordamos com a ideia; as consequências criaram uma situação bastante perigosa para nossos fãs que frequentam nossos shows. Nós nunca colocamos nosso público em risco, visto que isso não representa o que somos. Por esta razão, infelizmente estamos bastante tristes em informar que a banda não mais poderá tocar no Brasil este ano; sentimos que esta é realmente a única alternativa de manter as pessoas seguras. Nós faremos uma doação da porcentagem dos rendimentos que nos foram antecipados para uma instituição de caridade. -Dead Kennedys"

O pôster

Na ilustração divulgada pela produtora EV7 Live, responsável pelo evento, há uma família vestida de palhaço, usando a camiseta da Seleção Brasileira e segurando armas.
Cartaz da turnê do Dead Kennedys no Brasil.
Cartaz da turnê do Dead Kennedys no Brasil.
Foto: Instagram / Estadão Conteúdo
Em inglês, um dos filhos diz: "Amo o cheiro de pobres mortos pela manhã." Ao fundo, aparecem favelas em chamas e à frente tanques de guerra.
A banda de hardcore iria se apresenta nos dias 23/4, no Circo Voador (RJ), 25/4 no Tropical Butantã (SP), 26/4 no Toinha Brasil Show (BSB) e 28/4, no Mister Rock (BH).

domingo, 11 de fevereiro de 2018

terça-feira, 7 de maio de 2013

Cypherpunks

Esse Assange é foda.


Fonte:

samspratt_julianassange_painting

Anarquia e criptografia: Julian Assange resgata movimento dos anos 80 em seu livro “Cypherpunks”

 
 
 
 
O dia era 18 de abril de 2012. Julian Assange, editor do controverso WikiLeaks, dava um novo passo em sua carreira de ativista: inaugurava um programa de TV chamado The World Tomorrow.
Parecia um movimento ambicioso. Afinal, ele sequer podia deixar a casa na qual está exilado. E, desde 2010, tinha que lidar com um bloqueio financeiro que dificultava o funcionamento do WikiLeaks. Visto com desconfiança tanto pela mídia quanto por outros ativistas, que chances Assange teria de ser levado a sério ao se unir com uma rede de comunicação russa para produzir um talk show?
Realmente, The World Tomorrow não foi um dos seus projetos mais impactantes. Durou apenas 12 episódios, todos disponíveis no YouTube. Cada um tinha cerca de 30 minutos, nos quais eram entrevistadas figuras como o antropólogo David Graeber (Ocuppy Wall Street), o escritor Noam Chomsky e até o “crítico cultural” pop Slavoj Žižek.
Obviamente, as conversas sempre giravam em torno das complexas conexões entre política, tecnologia e privacidade. Segundo as contas fornecidas pelo YouTube, os vídeos mais assistidos foram vistos cerca de 40 mil vezes. E a repercussão de mídia do programa foi morna. É que Assange deixara de ser novidade: era agora um representante de um nicho, não mais exatamente uma ameaça política.

O nascimento de um livro

Mas dois episódios do talk show chamaram atenção (confira abaixo). Assange juntou, numa mesma sala, três personalidades envolvidas com a atual encarnação de um movimento que começou nos anos 80, o Cypherpunk. O debate entre Andy Muller Maguhn (Chaos Computer Club), Jérémie Zimmerman (La Quadrature du Net) e Jacob Appelbaum (Tor Project) acabou virando um livro, que saiu no Brasil, pela Boitempo, Cypherpunks — Liberdade e Futuro da Internet.
Nele, Assange é taxativo: a internet se tornou uma ameaça à civilização humana. Consciente e inconscientemente, disponibilizamos on-line informações que podem ser utilizadas para criar estruturas de poder político jamais imaginadas, com níveis de controle social que fariam Big Brother parecer um amador.


Universo criptográfico

A única saída possível para essa situação seria a utilização da criptografia, uma tecnologia inicialmente utilizada por militares para evitar o vazamento de informações confidenciais, hoje disponível para qualquer computador (até mesmo em simples extensões para navegadores). Na introdução do livro, o tom proselitista de Assange beira o new age:
O universo acredita na encriptação.
É mais fácil encriptar informação do que decriptá-la. (…)
O universo, nosso universo físico, tem a propriedade que torna possível, para um indivíduo ou grupo de indivíduos, confiavelmente, automaticamente, mesmo sem se dar conta disso, cifrar uma determinada coisa, de modo que todos os recursos e todo esforço político dos maiores superpoderes na Terra talvez não conseguissem decifrá-la. E os caminhos dessa encriptação de mensagens entre as pessoas podem se entrelaçar para criar regiões livres de forças coercitivas. Livres da intervenção de massa. Livre do controle do Estado.
(…) Encriptação é uma corporificação das leis da física e não presta atenção na gritaria dos Estados, nem nas distopias transnacionais das políticas de segurança.
Não é óbvio que o mundo tivesse que funcionar desse jeito. Mas, de alguma forma, o universo sorri em criptografia.
Mas o resto do texto é uma discussão mais elaborada e prática sobre a necessidade da criptografia como arma política. Essa técnica seria um dos últimos recursos disponíveis de resistência não-violenta ao poder do Estado e das corporações.
Em especial, levando em conta que a internet funciona por meio de recursos físicos extremamente controlados, como satélites, cabos submarinos, além de servidores instalados em diversos países, com diferentes estruturas legislativas. Estruturas que possibilitam ações jurídicas tão polêmicas quanto querer colocar pessoas na cadeia por deixar de obedecer os termos de serviço ou impedir um advogado de acessar redes sociais porque ele criticou um promotor.

Os novos Cypherpunks

A parte mais interessante de Cypherpunks são os capítulos em que Assange e convidados analisam como o cenário político e tecnológico mudou desde os primórdios do movimento. Em 30 anos, o problema da circulação de informações e da privacidade é completamente outro: os primeiros cypherpunks, Eric Hughes, John Gilmore e Tim May (do The Crypto Anarchist Manifesto) eram geeks que viam outros geeks se comunicando via Usenet. Assange vive num momento em que até carros trazem computadores embutidos e conectados à internet:
As comunicações, no próprio núcleo das nossas vidas privadas, movem-se cada vez mais pela internet. Assim, de fato, nossas vidas privadas entraram numa zona militarizada. É como ter um soldado debaixo da cama. É a militarização da vida civil.

Cauda longa — de massas

Mas como é possível controlar militarmente a internet? Não é exatamente essa tecnologia que vem nos ajudando a enfraquecer a comunicação de massas? Não é tão simples. On-line, a cauda não é tão longa assim.
Embora cada vez mais pessoas produzam conteúdo e sobre assuntos cada vez mais diversos, ainda recorremos a ferramentas de massa, como Facebook, Google, Twitter e até mesmo o WordPress (que, até o fim de 2012, gerenciava cerca de 73 milhões de sites no mundo, 14,7% de todos os sites publicados na internet).
Mesmo tecnologias open-source amplamente disseminadas, como servidores Linux / banco de dados Apache e PHP, acabam, de certa forma, massificando a internet. Assim, o custo de construir sistemas privados ou governamentais de coleta, análise e manipulação de dados diminui consideravelmente.
E é claro que a infraestrutura de comunicação ainda depende de corporações completamente atreladas aos governos, como as operadoras de celular. Finalmente, ainda existem certos assuntos que sempre são facilmente invocados na hora de aprovar leis duvidosas. É o que Jacob Appelbaum chama de…
…Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse da Informação: pornografia infantil, terrorismo, lavagem de dinheiro e a Guerra Contra Algumas Drogas.

Conversa incompleta

capa-cypherpunks
Por esses e por centenas de outros motivos, Cypherpunks é um livro ambíguo. É acessível e instigante porque não é restrito apenas para geeks, administradores de sistemas ou cientistas sociais.
Porém, essa mesma escolha estilística tem seu lado negativo: como é praticamente uma transcrição dos diálogos mantidos durante o programa The World Tomorrow, não traz maiores desenvolvimentos ou apresentação sistemática de dados. Quer dizer, é como se cada parágrafo merecesse um livro a parte.
Cypherpunks é uma conversa aberta e incompleta. Portanto, uma ótima introdução ao complexo problema da comunicação on-line hoje em dia. A maior ferramenta de liberdade criada nos últimos tempos também pode ser a maior ameaça política que já enfrentamos.

Julian Assange, Andy Muller Maguhn, Jeremie Zimmerman e Jacob Appelbaum.
Editora Boitempo
168 páginas R$ 29,00 (impresso), R$ 15 (eBook, em vários formatos)

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Um papo com as mulheres do Norte Assista / watch P.p 0